17 de abril de 2010

Rissolofobia aguda

s. m.
Espécie de pastel, com recheio de carne, peixe ou legumes.

























O Bróculo vai hoje partilhar com o seu vasto publico uma fobia antiga.
Pois é, quando ainda era um rebento, odiava rissóis...

Tinha mesmo fobia ao rissol, especialmente os de camarão. Custava-me mesmo comer aquilo, especialmente quente, ficava mesmo à beira do vómito...
A minha mãe por outro lado tinha - estou quase certo disto - um gozo sádico em enfiar-me rissóis pela goela abaixo e achava que lá porque fazia os melhores rissóis que alguma vez tinha provado, eu só não gostava por ter uma espécie de embirrancia com o petisco. E ela claro, era uma profícua rissoleira capaz de os fabricar a um ritmo industrial!
Se enquanto criança desconfiei desta faceta sádica da minha mãe, hoje, adulto feito que não bebe, não fuma e não vota PS, tenho a certeza absoluta que fui durante muitos anos vitima de uma intrincada trama, uma espécie de rissolgate, cujo o objectivo era simplesmente amolecer-me a rebeldia à custa do tortuoso rissol de camarão!
A prova foi sendo constatada ao longo dos anos e agora percebo que aquela reincidente pergunta "Filho, agora já gostas de rissóis não gostas?", feita várias vezes ao ano desde a minha infância, tinha um lado altamente pernicioso. Esta foi sempre colocada com o objectivo de saber se a tortura de rissolboarding já teria sortido efeito. Já estaria o talibã convertido ao rissolismo?

Pois muito bem. Confesso que a idade me amoleceu um pouco e neste momento tenho mais em comum com o rissol de camarão do que alguma vez tive na vida. Talvez por isso já os coma, não com gulodice é certo, mas também sem gritar pelo Dr. Phil...

A bem da humanidade, porque se deu progressivamente uma espécie de redução do arsenal rissoleiro lá em casa ao longo dos anos, a minha mãe fala disso com uma certa nostalgia dos tempos de produção massiva de material bélico.
Pois é, lá teve que fazer rissóis ontem e "curiosamente", ao contrário de todas as outras iguarias que sou eu que tenho de lá ir buscar a casa, não descansou enquanto não os veio trazer chez moi! Não há como fugir-lhes pá!!!
Parece-vos que foi por satisfação de ter vencido o meu asco ao rissol? Parece-vos que foi pelo orgulho da tortura ter sobrevindo?
Parece-vos que foi pelo meu implícito reconhecimento do melhor rissol do mundo?
Deixo o julgamento de intenções ao vosso critério...

Mas uma coisa é certa. Hoje em dia estou em paz com o rissol e sou capaz de comer de todos, inclusive também os de camarão, ainda assim sempre lhes prefiro um pastelinho de bacalhau ou um croquete.




P.S. Não me venham é com rissóis de pescada! Há limites e afinal de contas, ainda tenho algum sangue na guelra porra!

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