O Bróculo resolveu durante um curto período de férias encetar uma invasão da Hungria. Afinal de contas já lá tinha família muito antes das migrações magiares de 895!
É que descobri que o povo Húngaro é uma espécie de Rocky Balboa dos povos. Já levaram horrores de porrada mas quando já têm a cara num bolo e o arbitro já está a fazer a contagem final, eis que se erguem e arreiam duas dezenas de pêras bem assentes no adversário (geralmente alguém as dá por eles) e a partir dai voltam descansados ao trotil de micro-ondas (o famigerado hic! vinho quente! hic!), às banhocas termais e às "sopinhas" Golash...
É que a Hungria já foi invadida pelos Mongóis, pelos Otomanos, pelos Austríacos (supostos amigos), Soviéticos, Nazis (outros amigos)...Enfim, simplificando trata-se de um povo que anda à porrada, depois fica amigo, a seguir anda à porrada outra vez, arranjam mais uns amigos para ajudar a bater nos antigos amigos, e assim sucessivamente. É um povo à lá Nogueira Pinto...
Como consequência disto nota-se em relação a nós uma grande diferença na abordagem urbanista e de recuperação arquitectónica. Em vez do proteger até cair nacional, parece existir uma vontade aparente de manter a traça da cidade recorrendo à recuperação fiel dos edifícios. No entanto e em contrapartida há um certo mimetismo e cheiro a "falso" por detrás deste esforço. Talvez porque a cidade já foi reerguida n vezes, eles acabam por não se importar muito com os meios para atingir os fins. Vamos percebendo isto à medida que vemos as entranhas dos edifícios e nos vão contando a história de alguns dos mais emblemáticos.
Apesar de se poder constatar que se trata de um povo pouco sorridente e pessimista por natureza (também quem os condena!?) a cidade emana uma boa energia! Grandes avenidas, edifícios majestosos e monumentais, muita arquitectura religiosa, essencialmente católica, boas vistas, bons enquadramentos para o postalinho, enfim, é uma cidade muito bonita e agradável!
Além disso têm também um custo de vida substancialmente mais baixo, provavelmente por não terem sentido ainda o preço inflacionista da adesão ao euro...Lá a moeda é o Forint que relembra o nosso escudo (pelos preços) e 1 euro compra 270HUF.
Mas há a realçar que existe uma espécie de humor colectivo ou publico que não é muito comum em Portugal. É estranho que dá a impressão que os Húngaros têm esta particularidade. Enquanto individualmente não são conhecidos por ter grande sentido de humor, é possível observar pela cidade inúmeros pormenores de digamos, humor urbano. Já nós lusitanos somos muitas vezes ao contrário, apesar da nossa tendência individual para a palhaçada, somos colectivamente tímidos e incapazes de rir de nós próprios. Temos falta de humor colectivo!
A comida é muito boa, bastante laganhosa e condimentada com muita molhenga, queijo, natas, etc.. Há, e têm também uma óptima sopa de peixe! Se precisarem de perder uns quilinhos a mais, mantenham-se longe de Budapeste!
Quanto à língua esqueçam...Com tantos falsos amigos o melhor mesmo é falar uma língua que ninguém perceba. O pessoal mais velho curiosamente fala mais e melhor Inglês que muito pessoal novo. Mas o melhor mesmo é irem preparados para muita linguagem gestual...