24 de dezembro de 2009

OH! OH! OH!



O Bróculo, imbuído do espírito natalício deseja aos seus masoquistas leitores um feliz natal!
Ah! E lembrem-se que o natal existe não por causa do velhote de barbas mas sim por causa do menino das palhinhas...Sim porque para partir guito, por mais ateu que se seja, qualquer motivo serve! Só mesmo um gajo 100% islamista e fã da burca como o Abel Xavier para resistir a estas coisas!

18 de dezembro de 2009

TGV (Todos a Gamar Violentamente)

Em relação ao assunto TGV, mesmo que ao que parece este tenha arrancado já a alta velocidade e ninguém o pare, tenho algumas duvidas...
Penso que a alta do petróleo poderá não se acentuar/manter durante muito mais tempo (o meu palpite 2 a 5 anos) pois julgo que vai haver uma rápida proliferação dos carros eléctricos e isso vai permitir às companhias aéreas continuar a funcionar c/ baixos custos durante muitos e bons anos fazendo uma concorrência implacável ao TGV...
Além disso, não serão os estudos existentes demasiado coloridos e amigos de alguns interesses instalados? E não estarão como sempre, drasticamente sub-inflacionados como é hábito nas grandes obras, talvez para não chocar (ainda mais) a opinião pública? Incluem a expressão real dos custos de exploração, manutenção, etc. a longo prazo?
Em relação aos milhares de empregos que dizem vir a ser criados como consequência positiva desta obra, (já me assusto cada vez que um tipo do PS diz que se criam não-sei-quantos-mil empregos), eu pergunto, e quantos se perdem? Na CP não se perdem? Na aviação não se perdem? Também fizeram as contas de subtrair?
Com esta pipa de massa, quantas empresas se criariam? Quantos empregos? Quantos cursos? Quantos estágios? Quantas bolsas? Quantas escolas, centros de saúde, hospitais, estátuas do Bróculo? É que são 8.876M€(!) que poderiam ser muito melhor distribuídos em vez de irem parar aos bolsos dos mesmos de sempre…É que são quase 600 1ºs prémios Euromilhões!!!
E é interessante…Eu que não gosto particularmente da Drª Ferreira Leite (quem gosta?) começo a entender cada vez melhor aquilo que a chateia, nomeadamente a história dos espanhóis…Segundo li, além da maior comparticipação da UE a Espanha com Portugal na equação da AV, também lhes interessa a linha de TGV para resolver um problema de transporte interno entre a Galiza e Madrid através do percurso Vigo, Porto, Lisboa, Madrid. É fácil, é (muito) mais barato e ainda há quem pense que nos vai dar milhões a nós...Eu não! Acho é que ainda lá iremos encher o depósito muitas vezes...
O principal ponto negativo, ou seja o custo monstruoso desta obra é um dado adquirido. A precária conjuntura económica também. Vamos acreditar em previsões optimistas e projecções cor-de-rosa? Não podemos viver sem TGV? Sente-se a  falta dele? Sonha-se com ele?
Pois o Bróculo não, eu cá sonho é com um pais com muita horta verdinha, de gente civilizada, trabalhadora, qualificada e empreendedora, com políticos honestos e dedicados, com uma justiça eficiente, com um SNS digno e eficaz, com uma educação convincente, com um sistema fiscal justo, desburocratizado, culturalmente rico, desportivamente competitivo, etc, etc…
Mas ao analisar este assunto, descobri um termo económico fantástico que na minha opinião deveria substituir o "Pai Natal"! Trata-se de "externalidade" que são os benefícios económicos indirectos de um investimento, nomeadamente ao nível da redução das emissões poluentes, da sinistralidade, e dos ganhos de tempo....Já estou a ver os papás a dizer aos filhos "Olha meu querido filho, a "Mãe externalidade" trouxe-te um presente, toma lá este lindo comboio que o pai ainda não pagou, tu também não vais conseguir pagar e os teus netos ainda vão estar a pagar...Gostas? Bonito não é? É caso para dizer que o coelhinho veio com o pai natal e o palhaço no comboio ao circo*...
Enfim, este debate é interessante mas duvido que faça alguém mudar de ideias, os sonhadores vão continuar a sonhar e os pragmáticos vão continuar acordados…


*Tradução moderna: O Coelhone veio com a Mãe externalidade e o Sócrates no TGV ao Parlamento... 

12 de dezembro de 2009

Assalto à Vara

Convidar um arguido num processo de corrupção em segredo de justiça, para uma entrevista na televisão em prime-time será uma boa ideia?
Sendo que o pobre inocente até sentenciado está proibido de falar com os outros envolvidos no processo não será esta uma forma subtil e inteligente de sincronizar a cantiga com eles?
Não é mais uma vez suspeita a RTP de dar um empurrãozinho aos interesses do PS?


Isto é uma autêntica telenovela mexicana...

O Bróculo - Turista em terras lusas

Tendo o Bróculo chegado há poucas horas do estrangeiro, tenho a constatar que não há nada como sair e voltar a entrar no nosso país para nos apercebermos melhor das diferenças que nos separam em relação ao nosso anterior destino. Por um par de horas ou mais e com as memórias frescas de uma pátria que não é a nossa, senti-mo-nos estrangeiros no nosso próprio país e capazes de avaliar com maior clareza os nossos pontes fortes e fracos.
Vindo de Budapeste com escala em Munique, pude constatar através do breve contacto com o aeroporto Alemão as grandes diferenças que nos separam.
Notei naquele espaço um grande nacionalismo corporativo, que pude presenciar através de uma ostensiva promoção e publicidade ao produto alemão, nomeadamente através da exposição das ultimas bombas da Audi e Bmw com os faróis acesos e tudo em plena afirmação de algo perceptível como: "Epá, nós somos os Alemães, somos bons engenheiros e fazemos grandes automóveis!".
Ao chegar ao aeroporto da portela na posse de 20 costelas húngaras, 2 alemãs e 4 indefinidas e ainda com o Audi branco e BMW serie 7 híbrido na retina, entro no recinto e vejo-me imediatamente rodeado de paredes com uma colorida publicidade ao papel higiénico da renova....
Meus caros súbditos de Herr Bróculo, será que é mesmo preciso marketing nesta questão? Não saberá já o mundo aquilo que nós somos capazes de fazer? Será mesmo preciso fazer um statement do género "Epá, nós somos os Portugueses, gostamos de comer bem e fazemos muita merda!"? É que esta acção de marketing é por si só disso um bom exemplo...
Portanto esta experiência de sair e voltar a entrar em Portugal assemelha-se muito (e cada vez mais?) a sair e voltar a entrar na casa de banho. Subitamente o cheiro a que estávamos habituados atinge todo o seu potencial tóxico...

Budapeste


O Bróculo resolveu durante um curto período de férias encetar uma invasão da Hungria. Afinal de contas já lá tinha família muito antes das migrações magiares de 895!

É que descobri que o povo Húngaro é uma espécie de Rocky Balboa dos povos. Já levaram horrores de porrada mas quando já têm a cara num bolo e o arbitro já está a fazer a contagem final, eis que se erguem e arreiam duas dezenas de pêras bem assentes no adversário (geralmente alguém as dá por eles) e a partir dai voltam descansados ao trotil de micro-ondas (o famigerado hic! vinho quente! hic!), às banhocas termais e às "sopinhas" Golash...

É que a Hungria já foi invadida pelos Mongóis, pelos Otomanos, pelos Austríacos (supostos amigos), Soviéticos, Nazis (outros amigos)...Enfim, simplificando trata-se de um povo que anda à porrada, depois fica amigo, a seguir anda à porrada outra vez, arranjam mais uns amigos para ajudar a bater nos antigos amigos, e assim sucessivamente. É um povo à lá Nogueira Pinto...


Como consequência disto nota-se em relação a nós uma grande diferença na abordagem urbanista e de recuperação arquitectónica. Em vez do proteger até cair nacional, parece existir uma vontade aparente de manter a traça da cidade recorrendo à recuperação fiel dos edifícios. No entanto e em contrapartida há um certo mimetismo e cheiro a "falso" por detrás deste esforço. Talvez porque a cidade já foi reerguida n vezes, eles acabam por não se importar muito com os meios para atingir os fins. Vamos percebendo isto à medida que vemos as entranhas dos edifícios e nos vão contando a história de alguns dos mais emblemáticos.

Apesar de se poder constatar que se trata de um povo pouco sorridente e pessimista por natureza (também quem os condena!?) a cidade emana uma boa energia! Grandes avenidas, edifícios majestosos e monumentais, muita arquitectura religiosa, essencialmente católica, boas vistas, bons enquadramentos para o postalinho, enfim, é uma cidade muito bonita e agradável!

Além disso têm também um custo de vida substancialmente mais baixo, provavelmente por não terem sentido ainda o preço inflacionista da adesão ao euro...Lá a moeda é o Forint que relembra o nosso escudo (pelos preços) e 1 euro compra 270HUF.


Mas há a realçar que existe uma espécie de humor colectivo ou publico que não é muito comum em Portugal. É estranho que dá a impressão que os Húngaros têm esta particularidade. Enquanto individualmente não são conhecidos por ter grande sentido de humor, é possível observar pela cidade inúmeros pormenores de digamos, humor urbano. Já nós lusitanos somos muitas vezes ao contrário, apesar da nossa tendência individual para a palhaçada, somos colectivamente tímidos e incapazes de rir de nós próprios. Temos falta de humor colectivo!


A comida é muito boa, bastante laganhosa e condimentada com muita molhenga, queijo, natas, etc.. Há, e têm também uma óptima sopa de peixe! Se precisarem de perder uns quilinhos a mais, mantenham-se longe de Budapeste! 

Quanto à língua esqueçam...Com tantos falsos amigos o melhor mesmo é falar uma língua que ninguém perceba. O pessoal mais velho curiosamente fala mais e melhor Inglês que muito pessoal novo. Mas o melhor mesmo é irem preparados para muita linguagem gestual...