Fala-se por estes dias muito em Inteligência Artificial (IA).
Pensamos em IA ou AI e imediatamente vem-nos à cabeça um robô com maiores ou menores semelhanças em relação a nós, ao nosso cão ou a um qualquer personagem de ficção cientifica que nos é familiar.
Depois surge também a ideia de que todo o conhecimento enciclopédico destas máquinas pode ser "facilmente" aproveitado da www, inclusivamente usando/adaptando logaritmos de busca de informação já largamente implementados e utilizados, eles próprios com uma componente de AI de aprendizagem continua.
Mas se fizermos a evolução paralela ao que tem sido a das plataformas e sistemas digitais até ao dia de hoje, sem sequer pensarmos no que pode surgir de novo neste aspecto, pode facilmente evoluir-se para uma arquitectura em que possa existir um ou vários cérebros algures espalhados pelo mundo e que esses cérebros emprestem a sua IA a milhares ou milhões de avatares por esse mundo fora. O que é que isto quer dizer? Quer dizer que tendo em conta as possibilidades de comunicação e descentralização de dados existentes neste momento e expectáveis num futuro próximo, já se antevêem novos serviços e grandes empresas da era da IA, assim como e para além de motores de busca e cloud computing, uma espécie de democratização da super-inteligência onde podemos ligar o nosso smartphone/smartwatch/interface desktop/robô doméstico ou industrial ou até o nosso próprio cérebro a um super-cérebro capaz de uma inteligência inimaginável que pode criar milhões de avatares com milhões de funções distintas, cognitivas, mecânicas, cinéticas, etc., etc..
Agora imaginem o seguinte cenário, alguém compra um robô sexual, subscreve um serviço de avatar IA remoto e voilá! É feita a ligação remota ao cérebro do nosso humanoide que lhe dá a personalidade, voz e trejeitos por exemplo da Marilyn Monroe e, porventura, com a inteligência de um génio que faria Einstein nascer 10 vezes para chegar aos seus calcanhares...
Assim de repente surgem alguns conceitos e possíveis caminhos da IA que deverão dar muito que falar em termos éticos, políticos, geo-políticos, etc.. Alguns ouve-se falar bastante, outros nem tanto, abaixo alguns exemplos:
Adoção sintética - Adotar/perfilhar um humanoide com Avatar feito por medida, ou quem sabe, emulando um ente querido já falecido;
Download/Upload cognitivo - Fazer o upload do conteúdo cerebral e perfil emocional/personalidade de um humano para um Avatar ou para a cloud, em vida ou post morten, permitindo assim uma espécie de Avatar "invertido" na cloud, podendo fazer-se ou não depois o download para outro Avatar;
Hacking social - E se de repente por via de um vírus local ou no servidor de IA remoto o seu robô pessoal resolver matar toda a sua família (envenenando o jantar por exemplo) ou a fazer chantagem? E se de repente este Avatar começar a recolher informações e a mandá-las para a Coreia do Norte ou Rússia? E se o Avatar for reprogramado para defender o extremismo, difundir e realizar atentados terroristas, assassinar uma figura mediática, etc, etc.?;
Guerra avatar - E se de repente um servidor de avatares IA na china por exemplo os fizer virar-se contra os seus utilizadores/sociedade, "enlouquecendo" os robôs industriais ligados à www, os veículos autónomos e rede de transportes, as centrais eléctricas, sistema financeiro, internet, as armas nucleares, os satélites, etc.?;
Ciborgue culture - Em vez do Avatar ser puramente sintético, através de hardware especifico será possível incrementar capacidades humanas quer físicas, quer sensoriais, quer intelectuais ou outras, fazendo a ligação a um servidor IA local ou remoto e fazendo "upgrades" de "hardware" e "software";
Bio hibrid AI server - Servidor de IA em que é utilizada tecnologia hibrida, biológica e digital/quântica para criar super-cérebros, afinal de contas, milhares de cérebros baratos de animais, humanos ou bio-cultivados a trabalhar em série poderão servir para criar um servidor IA híbrido extremamente poderoso;
Quantic AI server - O computador quântico ao serviço da IA cloud ou local;
Sinthetic crime - E se os assaltantes passarem a ser robôs manipulados pelas organizações criminosas?;
Dark AI server - Servidor IA especificamente a trabalhar para interesses criminosos, alojado na dark web e programado para fazer take-over dos avatares e/ou dos outros servidores de IA com a intenção de espalhar o terror e/ou servir interesses obscuros.
Enfim, fala-se muito agora e vai continuar a falar-se cada vez mais de IA no futuro. Percebe-se porque é que Elon Musk e Stephen Hawking só para citar alguns, temem estes avanços tecnológicos. Para já, nem sequer precisamos de pensar no perigo que esta tecnologia pode representar por si mesma devido à fronteira da singularidade* e autoconsciência mas apenas no que pode acontecer se os humanos a usarem para fins auto-destrutivos ou guiados pela ganância e instinto dominador.
Vai-se a ver e quem sabe até já será assim a alma humana, um Avatar de uma qualquer "inteligência cósmica universal" que há muito passou o ponto de singularidade criando em nós a percepção de tudo o que achamos real.
*Em 1965, I. J. Good especulou que a inteligência artificial poderia provocar uma explosão de inteligência, propondo um cenário onde, à medida que os computadores são potencializados, há o aumento da possibilidade de construção de máquinas com maior capacidade inventiva e de solução de problemas que o próprio homem. Máquinas cada vez mais capazes seriam desenvolvidas a partir desta, acelerando o auto-aperfeiçoamento recursivo, resultando numa enorme mudança qualitativa antes de quaisquer limites superiores impostos pelas leis da física ou da computação teórica.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Singularidade_tecnol%C3%B3gica
9 de novembro de 2018
Subscrever:
Mensagens (Atom)
