Pois é, aqui há cerca de 2 anitos demonstrei alguma expectativa relativamente ao "Capitão" Pedro Passos num pergaminho intitulado "Os primeiros passos do coelho", escusado será dizer que essa expectativa foi gorada... Não iria tão longe dizendo que o cavalheiro é um fora da lei, um marginal, um incompetente, estúpido e imbecil (é demasiado fácil), apontaria antes o astrolábio não para o astro em si mas para o universo onde ele se movimenta.
Digo eu que "génio" será aquele que não só compreende a complexidade que o rodeia como a consegue explicar de forma inteligível a uma pessoa simples. O oceano tormentoso onde a Nau se "move" é de uma complexidade extrema, ganhou vida, tornou-se tortuoso e triturador sendo lar para monstros, doenças e piratas. Os ventos e marés claro, também não são os mais favoráveis...
Na verdade todos sabemos que a embarcação é ingovernável em mar tempestuoso e se não nos concentrarmos nela e apenas olharmos acagassados para os monstros que nos são arremessados por ondas de fúria nem sairemos de terra!
Experimentem gerir uma tripulação de meia dúzia de marinheiros e depois pensem o que será tripular uma nau de 10.000.000 de almas. Não será nada fácil como devem calcular...Muito menos se essas almas estão destituídas de quaisquer valores colectivos e apenas se preocupam com o seu umbigo.
A única forma de levar a nau a bom porto será responsabilizando cada marinheiro pelo seu destino mas também pelo destino colectivo. Não podem uns andar a puxar pelo cabedal a combater monstros enquanto outros jogam às cartas no porão e se queixam da vida, do balanço do navio e de quem comanda a sua fortuna, como se não tivessem nada a ver com o assunto!
Apontar o dedo e desresponsabilizar-mo-nos, insultar, enxovalhar, os "comandantes" e uns aos outros, frisar o nós e o eles, o eu e o outro são tudo sintomas de alheamento da nossa própria responsabilidade. Se o comandante não está altura (e nunca estará) ele que ande na ponte e seja atirado aos tubarões mas...cuidado! Não basta lá meter outro igual para depois lhe podermos apontar o dedo. Teremos que reparar a nau preparando-a melhor para as tempestades, mudar a cadeia de comando, envolver os marinheiros nas decisões e sim, ter (ainda) mais alguma paciência para esperar que o mar acalme e os ventos amainem, e os monstros sejam exterminados...
É normal quando as coisas correm bem sentirmos o ego inchado e quando correm mal apontarmos o dedo a alguém (habitualmente quem tem tomates, ambição e/ou ganância para assumir responsabilidades) mas a dura realidade é que se o povo fosse bom, o nosso capitão seria à imagem dele. Se o povo é mau pelo menos entenda que ninguém vai resolver os seus problemas sem a sua participação enquanto bebem rum e jogam uma cartada no porão...
Qualquer que seja o capitão, qualquer que seja o regente, qualquer que seja a corte, se a tripulação se limitar a maldizer e apontar o dedo em vez de fazer o seu trabalho, com ventos contra ou favoráveis, mares de acalmia ou tormenta, a Nau continuará à deriva num mar de tormentas por muito, muito...muuuuintooo tempo.
30 de outubro de 2013
24 de outubro de 2013
19 de outubro de 2013
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