Assim, talvez nos reste ser uma espécie de Cuba da Europa em que recebemos os turistas e fazemos tudo por eles, já que, das coisas bem Portuguesas que vai havendo para vender por cá são o sol e a simpatia e esta, não sendo obviamente um defeito, também não deve ser uma matriz de avaliação de carácter.
17 de maio de 2021
O fado do nacional porreirismo
29 de abril de 2021
A Madre Teresa "veste" Prada
Quem é que deveria ser a pessoa mais rica do mundo? (não, a resposta não é Carlos Moedas).
Será que essa pessoa, deveria ser aquela que metia os computadores da malta todos a crashar e que, de repente, desde que se reformou, a coisa melhorou? Será porventura justo que seja aquela pessoa que nos vende tudo e um par de botas (que nunca serve) através da internet? Será aquele gajo que dá uns pontapés na bola com vista a desacreditar as leis da física ou o anão que finta três na cabine telefónica, faz a chamada prometendo mais três iguais a quem atender? Por ventura, aquele gajo que nos mete todos a cuscar a vida uns dos outros, cuscando depois quem cusca? Seriam os cientistas que inventam a cura para as nossas maleitas, ou melhor, para única doença existente aos dias de hoje de seu nome covid 19? Será o rapaz que brinca com foguetões e carrinhos a pilhas e quer ir morar para Marte porque isto aqui está a ficar um pouco seco e empoeirado?
Num mundo ideal, talvez a pessoa mais rica do mundo devesse ser a melhor pessoa, a mais altruísta, generosa e inspiradora, contudo, por razões religiosas e miserabilistas originárias na religião católica, existe a crença generalizada, não só de que quem é rico não chega ao céu - já que São Pedro é um porteiro absolutamente incorruptível - como também de que, quem é altruísta, generoso e inspirador é um pobretanas que não tem onde cair morto.
Alguns dos exemplos que citei como pessoas que foram, são ou poderão vir a ser potencialmente as mais ricas do mundo (futebolistas à parte), como Bill Gates, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos ou Elon Musk, ficaram estupidamente ricos primeiro e só depois, eventualmente se tornaram generosos e altruístas filantropos. As más línguas poderiam dizer que depois de não saberem o que fazer com tanto dinheiro, resolvem doa-lo, às tantas numa operação de charme para com são S. Pedro, à procura do supremo "like".
Agora, falando de incentivos, qual é a motivação inconsciente para se querer ser altruísta (sim, sei o significado) se isso implica quase sempre no subconsciente colectivo, ser um pobre sacrificado? Porque terá o benfeitor de enriquecer primeiro para dar depois e não prosperar ao longo da sua vida oferecendo os seus préstimos ao bem comum?
Porque é que se a Madre Teresa vestisse Prada não seria a mulher que foi? Porque é que o miserabilismo é tão "fashion"?
Num mundo de inacreditável abundância (mal distribuída é certo) seria justo que aqueles que a partilham, criam ou induzam sempre usufruíssem dela.
A pessoa mais altruísta, generosa e inspiradora do mundo, ou seja, a pessoa mais rica, por mim, pode vestir o que quiser, mas o que quiser não tem de caridade.
16 de janeiro de 2021
O pangolineiro guloso
Wuhan, Janeiro de 2021, algures nesta cidade habita um individuo que terá comido a refeição mais culposa que alguma vez a humanidade terá provado. Esqueçam as pizzas enqueijadas, os hambúrgueres laganhosos, os petiscos regionais, os doces conventuais ou francesinhas. Isto foi um míssil inter-continental alimentar a que um Pangolineiro guloso não resistiu, sucumbindo ao delicado perfume da carne do curioso bicharoco, com a língua do tamanho do corpo (um pouco como o nosso presidente da república) e que, ao comê-lo, se tornou num fazedor de história. Não é uma história boa como sabemos, ser o número #1 tem destas coisas, muitas vezes esta condição cega ou prejudica os que se/nos seguem. Trata-se de uma questão de culpa e responsabilidade.
Noutras latitudes temos outro pedaço de biologia "humana", fúria carotena por excelência, a gula que o alimenta não é tão inocente, já não se trata do simples aroma da iguaria com total desconhecimento das inimagináveis consequências. O pangolineiro guloso de Wuhan matou milhões de pessoas sem imaginar que o estaria a fazer, já Trump acha-se mais importante que todas e quaisquer possíveis consequências. Um, é culpado mas inocente, outro diz-se vítima inocente, mas é culpado.
O que nos traz de volta à questão da responsabilidade e à nossa latitude. Por cá, a responsabilidade é sempre dos outros, é como o oposto do dinheiro, se encontras uma nota no chão, ela é tua. Já a responsabilidade, os outros que fiquem com ela! Quem a tem guarda uma grande dose de parcimónia em assumir a sua abundância. Ouvimos muitas vezes Trump dizer que é rico, mas não o ouvimos falar da grande responsabilidade que tem, tal como António Costa, Eduardo Cabrita, Marta Temido ou Francisca Van Dunen, estes não resistiram ao aroma do poder e influência, mas desculpam a sua responsabilidade demonstrando a fraqueza do seu carácter e a sua pequenez, porque um líder só será tão grande, quanto a responsabilidade que for capaz de assumir e esse é o preço a pagar pelo poder que tem. Aquele que quer o que os outros dispensam será sempre bem vindo.



