23 de setembro de 2009

O poder dos nomes

Falava com uma colega minha sobre um seu problema de saúde e dizia-me ela que o seu médico Dr. Esperancinha tinha dito não me lembro bem o quê sobre o assunto. Foi nesse momento que me detive e pensei: Epá, isto dos nomes conta que se farta pá! Em vez de testes psico-técnicos porque não deixar o nosso nome traçar-nos o destino profissional? Se não é um nome adequado para um médico "Esperancinha"? É uma espécie de nome profilático, mesmo que funcione como um genérico ou apenas como placebo. Pena é que o apelido da minha colega não seja Dores, isso então constituiria um caso raro de sublime poesia medicinal.

Eis então que um técnico qualificado do ministério da educação, devidamente avaliado claro, provavelmente com o apelido Mestre ou algo do género perguntaria aos adolescentes: Apelido? Sr. Águas? Tu vais ser bombeiro. Tu, Sr. Falcão? Piloto! Sr. Bordalo? A Ginecologia será o teu futuro. Srª Lavadinho? Vai para as limpezasBoa-morte? Coveiro. D. Cabeleira? Cabeleireira. Postiga? Porteiro, serralheiro de alumínios ou futebolista Zarolho, a escolha é tua. Tu, Bruno Alves? Talhante. E tu Zézito, serias professor de filosofia mas como és alérgico ao ensino vais pá politica...e por ai fora, num constante acerto vocacional Onomástico*. Simples heim?

Isto vem muito a propósito porque o treinador do Benfica Jorge Jesus que diga-se de passagem até já anda a aprender inglês para emigrar daqui para fora e ser o próximo Mourinho (é que ele quer estar à direita do pai). Talvez o seu nome se adequasse melhor a um padre, mas o que é certo é que profeticamente este tem estado na catedral, a reunir o rebanho e a catequizar muitos crentes!

Como sportinguista atento e ao contrário daquilo que é o modelo defendido pelo presidente do SCP, José Eduardo Bettencourt, que consiste basicamente na imitação do modelo Pinto da Costa (curiosamente nome que traduzido quer dizer qualquer coisa como Gaivota bebé), o esverdeado Bróculo é da opinião que devíamos ser ainda mais originais e...antes imitar o modelo benfiquista. O plano passa a ser simplesmente arranjarmos um treinador de apelido Milagres! Eu sugiro uma prospecção aqui mesmo no mercado Ibérico ou no hispânico sul americano, e se de repente nos oferecerem Flores ou Santos (já sabemos que santos da casa não fazem milagres), é dizer que NÃO, o que nós precisamos é mesmo de um Milagros!







*Ciência que trata da etimologia, transformação e classificação dos nomes próprios.

7 de setembro de 2009

6 de setembro de 2009

Liberdade



do Lat. libertate

s. f., faculdade de uma pessoa poder dispor de si, fazendo ou deixando de fazer por seu livre arbítrio

qualquer coisa;
gozo dos direitos do homem livre;
independência;
autonomia;
permissão;
ousadia;

- de consciência: direito de emitir  opiniões religiosas e políticas que se julguem verdadeiras;

- de imprensa: direito concedido à publicação de algo sem necessidade de qualquer autorização ou censura prévia, mas sujeito à lei, em caso de abuso;
- individual: garantia que qualquer cidadão possui de não ser impedido de exercer e usufruir dos seus direitos, excepto em casos previstos por lei.

Confesso que acompanhar a actualidade é das coisas que mais fazem do Bróculo Bróc
ulo em Brasa... Afinal de contas, isso não é ser livre, é deixar que a realidade nos absorva e nos tolha a nossa liberdade e a nossa criatividade, a nossa visão e os nossos ideais.
Jornais, blogs, canais de televisão, etc., todos à procura de explicações que justifiquem a existência de separação entre opiniões opostas, partidos diferentes e marcadas personalidades da vida publica gritando por atenção mediática.
Pode a politica intrinsecamente dar lugar a tanta paixão? O Bróculo não vai muito nisso, não me parece que isto possa ser fruto
de paixões ideológicas e espírito serventil. Ninguém ofende, mente, sacaneia, ilude e se desresponsabiliza por querer servir o povo. Esse é obviamente (para um não-politico) um valor demasiado alto para se descer tão baixo.
Aquelas lutas titânicas e debates inflamados são típicos de quem defende não o que é de todos mas sim o que é seu e só seu e quando os vejo a espumar da boca e a começar as frases por "EU" isto e "EU" aquilo, prefiro não me identificar com eles. Votarei sim mas com consciência de estar a votar num mal menor.
Mas se não é o escutismo, então o que moverá a classe politica? O que os faz quererem se-lo? Que sinais e que respostas é que a "actualidade" nos dá acerca desta questão? E que clarividência terão os outros, aqueles que não perdem tempo a pensar nestas coisas e simplesmente "cagam para a politica"?
As gentes desinteressadas, que até podiam pôr os interesses comuns a frente dos interesses pessoais e dar um novo rumo a este pais, fazem parte do ultimo grupo, mas infelizmente
como disse um destacado membro da nossa sociedade há uns tempos atrás, "a má moeda expulsa a boa moeda"...
No entanto e por oposição a isto, há também a ter em conta que aparecem novos soldados para esta guerra, afinal "se não podes vencê-los junta-te a eles" e, o cidadão comum adere à politica porque sabe que se não fizer parte do partido x ou y não tira os proveitos profissionais máximos e nunca atingirá as metas que ambiciona na vida. Se o objectivo é chegar ao topo ou lá perto, não se lá chega sem uma mãozinha de um camarada...
Para quem tem visto o autómato José Sócrates na sua versão 2.0 representando uma espécie de novela cibernética na televisão, a "realidade" confunde-se com a ficção...
E a realidade é que a liberdade está ameaçada porque os políticos procuram a auto-satisfação das suas ambições mundanas, fazendo um grande malabarismo para tal, mesmo que isso implique um muito pouco subtil lobbying em que se tenta comprar um canal de TV através de uma empresa publica (PT), depois despede-se o director conseguindo-lhe uma oferta de emprego (esta é obra!) e depois abafa-se uma pivô de telejornal com pressões a uma empresa espanhola. E já agora também não nos podemos esquecer da universidade que foi mandada fechar e outras coisas que tais. Se isto aconteceu tudo por acaso é bom que Sócrates comece a jogar no Euromilhões porque o gajo tem mais vaca que o Sporting no jogo com o Twente...
"Quando a imprensa é livre, as vantagens da liberdade contrabalançam-lhe os inconvenientes"

Benjamim Constant

Os tempos que ai vêm são de tempestade?




Mário Soares numa entrevista ao "i" de 5 de Setembro, quando questionado: "Uma vitória do PSD poderia abrir uma crise?", respondeu: "Abria uma crise violenta. Toda a esquerda, que é sociologicamente maioritária, estaria a manifestar-se contra o governo. É estranho que um país que tem 55 ou 60 por cento de maioria de esquerda possa ser governado pela direita, que é minoritária, mesmo que ganhasse neste momento as eleições."

Convém meditarmos atentamente nestas palavras porque isto é uma explicação cabal para o facto de o PS poder fazer tudo aquilo que quer, atropelando tudo e todos, indo inclusivamente contra sectores chave da sociedade como as forças da ordem, os professores, os juízes, etc. e no entanto, Cavaco Silva (desgastado por 10 anos de governação é certo) teve um buzinão de todo o tamanho por aumentar as portagens na ponte 25 Abril, que, diga-se de passagem já devem ter aumentado mais durante esta legislatura.

Também Santana Lopes se pode queixar da baixa tolerância do zé povinho (e claro Jorge Sampaio) para com a direita, não tivesse ele levado um chuto no cu sem que este tivesse sequer tido tempo de aquecer a sua cadeira ministerial.

Temo que nas actuais condições sócio-económicas, que uma coligação PSD
-CDS que governe este país e tome uma e basta provavelmente apenas uma só medida impopular, por insignificante que seja, para causar um tsunami politico e que se desencadeie a tal insurgência popular nas ruas, que se espera e justifica há muito, mas só irá acontecer quando a maldita direita estiver a endireitar aquilo que o PS (mais uma vez) entortou...