12 de novembro de 2008

Investimento

s. m.,
acção ou efeito de investir;

investida;
assalto;
ataque;

Econ.,

acção de aplicar capitais na aquisição de bens para retirar proveito dessa operação;
o bem ou os bens adquiridos dessa forma ou com essa intenção;
a soma investida nessa operação de aquisição.

Epá o Bróculo anda mesmo preocupado com o investimento publico! Esta investida, este ataque ou mesmo este assalto ao nosso bolso deixa-me perplexo.

Será que algum politico pode ser suficientemente estúpido para (ainda) achar que é o investimento em infra-estruturas que vai fazer o nosso país prosperar (como se o investimento publico nunca pudesse passar a ser investimento no publico)?
Não olharam para a Irlanda? Não viram que os cá feitos no passado não deram os frutos esperados!
Então como podemos nós encarar a teimosia dos políticos em geral e dos socialistas em particular em prosseguir com esta politica betuminosa?

É que apesar de leigo na matéria, parece-me que as empresas neste mundo globalizado só investem onde há dinheiro, onde há mercado e/ou onde há baixos custos de produção, sendo que o ideal se possível, será um favorável conjunto de todas estas condições.
E nós por cá, que temos para oferecer? Que tal um estado caloteiro que ainda por cima é balofo e guloso? E que tal uma população acomodada? E uma justiça bestialmente perra que não só tarda como falha? E uma burocracia maquiavélica feita por advogados tontos para advogados estonteantes?
Mas atenção! As auto-estradas! Ui, ui! E ainda por cima são baratas!

Pois é meus caros, isto é simplesmente mais um adereço do carrossel dourado na nossa sociedade, a musica é alegre, o percurso é diversificado, passando pela politica, poder autárquico, clubes de futebol, lobby da construção, da banca, regulação, etc., enfim…é sempre a subir e tudo acaba em reforma(s) dourada(s). O que é revoltante é o permanente discurso do apertar o cinto e dos sacrifícios patrióticos dirigido ao Zé povinho, o gajo que paga para os meninos andarem voltas sem fim no lindo carrossel!

Mas se formos a ver bem, um novo grande aeroporto até dá jeito, pois vamos ser muitos a querer sair daqui depressa!

E por outro lado, mais auto estradas até dão um certo jeito porque assim nos matamos rapidamente e não temos que viver até à idade em que percebemos que o estado não vai ter dinheiro para nos pagar a reforma…

E olhem que pensando bem o TGV também dá bastante jeito porque assim podemos viver aqui e trabalhar em Espanha! Mais uma vez espantando o mundo com o nosso pioneirismo magalhónico e seremos o primeiro país dormitório! Uma espécie de Cacém Pátria! E se formos a ver bem já andamos a dormir há alguns anos. Eu adormeci em 25 de Abril de 1974 e tenho tido muitos pesadelos, até sonhei que o Ateniense Sócrates se tinha formado em engenharia na Independente, se chamava Zé e governava Portugal com o orgulho dos medíocres, a teimosia dos vaidosos, e o carisma dos ignorantes…Socorro! Mandem-me um balde de água fria!
E a ironia do nome deste homem!? Alguém já alguma vez sequer imaginou que este Sócrates poderá alguma vez na vida dizer “Só sei que nada sei"!? É que é de rir até ao vómito!!!

Nada merece o nosso esforço, todas as coisas boas são apenas vaidades, o mundo é uma bancarrota e a vida, um mau negócio, que não paga o investimento. Para ser feliz, é preciso ser como as crianças: ignorante

Arthur Schopenhauer

E no entanto, ao acordar, ouvimos a melodia do tal grande carrossel dourado e não sentimos a felicidade!? Ai, ai…Santa ignorância!


E por falar em ignorância, Leiam isto!

1 de novembro de 2008

Saudade

do ant. soedade, soidade, suidade < style=""> solitate, com influência de saudar

s. f.,

lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;



pesar pela ausência de alguém que nos é querido;

nostalgia;



Pois é meus caros fãs, sei que já estavam cheios de saudades do bróculo, e eu, rapaz solidário que sou, lá vos faço o favor de escrever aqui umas merdas geniais para vocês imprimirem, encadernarem e estimarem para o resto das vossas vidas…


Nestes tempos de crise é que se vêm os grandes legumes e eis que o bróculo renasce das cinzas triunfante para guiar os Portugueses nestas horas difíceis.


Ora aqui está um assunto que puxa pelo orgulho Português! A saudade…aquela palavra que é só nossa, que nós inventámos! Não porque estejamos nostálgicos do nosso passado imperial, não porque estamos com azia do fenómeno “querida, encolhi o império”, mas simplesmente porque somos um povo com uma inteligência emocional acima da média e como tal, demos um nome a um sentimento humano, a uma necessidade fisiológica que também vende papel higiénico.


Já vimos que a saudade está intimamente ligada ao passado, à “lembrança” e à memória, mas também é cada vez mais um sentimento com futuro pois se é verdade que temos saudades do passado e porque este é melhor que o presente, só podemos temer o futuro! Isso permite ter saudades não só de coisas boas, mas também de Salazar, António Guterres, Carlos Paião ou mesmo de José Peseiro!!! E estremeço só de pensar que podemos um dia vir a ter saudades de José Socrates!??


Mas pelo menos não estamos home-sick, ou seja em casa doentes e com febre como os bifes, não porque as nossas casas não sejam suficientemente húmidas e frias para nos matarem enquanto lá estamos, mas porque talvez numa noite de fado, entre lágrimas de dor saiu um sôdade de umas entranhas Portuguesas em carne viva.


Mas por ventura e muito nostalgicamente vos dou uma má noticia, esta palavra que inventámos não serve para nada, ela apenas serve para demonstrar as nossas fragilidades enquanto povo. Este sentimento é bom para poetas, escritores e fadistas no sentido de dar densidade emocional à sua obra, mas para que um povo caminhe em direcção ao futuro, as saudades vão ter que ficar para trás.


“A saudade é o alimento vão de um espírito desocupado. É preciso, acima de tudo, evitar a saudade ocupando sempre o espírito com novas sensações e novas imaginações”


Gabriele DÀnnunzio


Se conseguirmos fazer isto, poderemos ser de novo um povo grandioso…