15 de setembro de 2022

A fé no Estatismo e seus profetas

Nestes tempos de quase desespero eis que se reforça uma esperança antiga, como não poderia deixar de ser, essa esperança recai na salvação da humanidade através da fé, uma fé na palavra divina dos profetas vivos que nos vendem a ideia do estatismo, o estado salvador e providencial que nos irá garantir conforto e segurança das nossas convicções até ao final dos nossos dias.

Os apóstolos São Costa e São Marcelo, do alto da sua bondade, indicam-nos o caminho divino in civitate speramos de que o estado, esse hermético nivelador de almas, irá providenciar infinitamente e transformar água em gasolina.

Os grandes profetas, um, o Golden Retriever simpático que nos gosta de lamber a face e outro, o Rafeiro Alentejano que parecendo pachorrento, morde quando estamos de costas, indicam-nos o caminho luminoso, calibrando-nos a crença de que o estado é a resposta para todos os problemas, só que não...

Quando a fé nos paralisa a acção, quando nos embala na nossa vitimização e deixa de fora a vontade e o engenho humanos para lidar com os desafios, o caminho irá ser espinhoso. Quando os audazes são calados e os coitados escrevem o destino, esse destino não é luminoso, é um mar de mais e mais coitados num feedback de crença em luz que não existe. Como ouvi José Milhazes noutro dia dizer, "para vermos a luz ao fundo do túnel temos de encontrar o túnel primeiro" e a crença, a fé, tem a sua utilidade, mas não é o túnel, é apenas o reforço da nossa predisposição positiva para achar que o vamos um dia encontrar.


A necessidade faz o engenho e o engenho é que gera progresso e prosperidade, acreditar no estatismo é esquecer que o estado é em si o resultado do nosso esforço e engenho individual e é para aí que devemos direccionar a nossa "fé", é nisso que os "profetas", os nossos "lideres" têm de promover: a iniciativa privada e o crescimento individual. Ao estado não lhe compete salvar, competir, condicionar, dificultar, complicar, burocratizar, substituir, mas sim promover uma sã competição entre os vários agentes económicos, estabelecendo regras simples e claras, redistribuindo justamente alguns benefícios e apoios sociais e garantir que a sustentabilidade do sistema seja transgeracional. Uma analogia futeboleira poderia ser a de que o estado seria o árbitro, daqueles que deixam jogar, não dos que apitam por tudo e por nada, claro. Mas, nada disto está a ser tido em conta, mesmo o que parece ser feito para ajudar, não passa de uma pachorrenta e traiçoeira "trinca nas canelas", medidas de assistencialismo puro que não tratam as causas, mas apenas aliviam (poucochinho) os sintomas, enchendo os noticiários de reverências aos beneméritos profetas.




13 de fevereiro de 2022

Seca? Talvez porque São Pedro não é socialista.

 Os grandes líderes são aqueles que conseguem distinguir e identificar as subtilezas nas relações de causa efeito, diria também que esta sensibilidade é um sinal de inteligência. Nos antípodas desta postura está aquela em que o nosso ego nos possa levar a pensar que, por uma questão de fé ou por sermos predestinados, as coisas correm sempre como nos dá jeito só porque sim. No caso desta espécie de governo que nos atormenta com o seu wishfull thinking já lá vão 6 anos, esta última abordagem nas decisões é por demais evidente e decorre de uma mistura explosiva de wishful thinking com uma grande dose de não imputabilidade quanto às enormes responsabilidades que marcam ou deveriam marcar quem tem a incumbência de tomar decisões que podem influenciar os destinos de um povo por várias gerações.

Posto isto e na questão da seca é interessante constatar que mais uma vez foi uma decisão política  irresponsável que agravou - e muito -  este problema. Qual? A decisão de ter encerrado as centrais térmicas do Pego e de Sines por uma questão de ‘marketing ecológico’, provocou uma cadeia de acontecimentos que só se pode classificar como desastrosa. Não só se começou a importar mais energia eléctrica, alguma dela produzida igualmente com recurso ao carvão, para compensar a quebra na produção nacional, como se começou a aumentar drasticamente a produção de energia hídrica drenando as reservas de água já de si baixas das albufeiras nacionais, estando algumas com valores abaixo dos 20%. Isto, para além de altamente previsível, constitui mais um crime lesa-pátria perpetrado por esta espécie de governo, a juntar às duas mãos cheias de erros de várias índoles cometidos ao longo dos últimos 6 anos de pesadelo do processo de "venezuelização" em curso.

Já se sabe que a ignorância é muito atrevida, ainda para mais quando essa ignorância tem por base um ego de um António Costa, de um Carlos César, um Ferro Rodrigues, de um Galamba ou de um Pedro Nuno Santos, gente altamente qualificada e com uma vontade férrea de mostrar ao mundo como são importantes.

E assim se continua a destruir o futuro e a desbaratar oportunidades, sendo que o mais preocupante é que um povinho acomodado e egoísta continue a votar no seu "poucochinho" conforto imediato em troca de um futuro próspero para os seus filhos e netos.

Talvez a arrogância socialista vá ao ponto de pensar que, num acto xamânico, S.Pedro acorresse a meter água na "fervura" enchendo as albufeiras. Porém, aparentemente são Pedro não é socialista e quem meteu água mais uma vez foi o governo.