O Bróculo não é economista nem mestre em finanças públicas, não é um gestor de grandes empresas nem um investidor de risco, não é um banqueiro nem nada que tenha a ver com a área. Sou apenas um humilde vegetal de classe média (cada vez mais baixa) e talvez perceba alguma coisa de contas de merceeiro, pelo menos sempre achei que ficava bem com um lápis na orelha.
Após esta introdução fico deveras preocupado, pois que se o Bróculo, que não é propriamente conhecido pela sua humildade, assume os seus limites nesta área, assusta bastante que governos e ministros das finanças ainda percebam menos desta merda que o comum dos vegetais e achem que fazem um brilharete na matéria.
Preocupa-me que se esteja a instalar um clima - não de asfixia democrática - mas sim de asfixia fiscal em que o estado vilipendia as liberdades dos cidadãos em nome da sua ineficácia despesista e do seu cada vez maior apetite. O estado precisa urgentemente de uma banda gástrica!
Mesmo para um leigo há alguns dados facilmente intrepertáveis como por exemplo o estado absorver mais de metade da riqueza produzida no País, ou seja, costuma-se dizer que anda meio país (no sector privado) a trabalhar para sustentar a outra metade, mas isso provavelmente já não será bem assim, já não faltará muito para 40% do país andar a sustentar os restantes 60%...Isto como é óbvio terá um ponto de ruptura que se aproxima a grande velocidade...
Perdoem-me a minha falta de substância teórica nesta matéria mas este facto é preocupante e cria uma separação entre 2 países distintos, um país que se esforça e trabalha e que é altamente taxado no seu rendimento, e um pais que se queixa, exige e vive despreocupado à custa do esforço de uma minoria de bois, os tais que puxam a carroça...
Assim, nesta pátria de bois e de boys vive-se um paradoxo interessante, uma série de práticas fiscais e administrativas altamente abusivas e injustas, pois que há reguladores para quase todas as actividades, mas quem regula o estado? Um estado que exige pagamento adiantado e paga a perder de vista! Um estado que cobra impostos sobre impostos, um estado que taxa a poupança, um estado que taxa indiscriminadamente quem ganha e quem perde da mesma forma! E no entanto, esse mesmo Estado é arrogantemente incompetente na prestação dos serviços a que está obrigado constitucionalmente, nomeadamente na saúde, educação e justiça!
Temos pois, o mau exemplo vindo de cima, isto é escandaloso! Mas o guloso Estado quer ir mais longe, quer o levantamento do sigilo bancário e engendra a todo o momento novos e imaginativos impostos e taxas...
Por isso digo que há neste momento uma cada vez maior asfixia fiscal, uma perseguição, que só pode levar ao imobilismo e à paralisia económica, este clima sente-se no ar...Muitas empresas acabam porque simplesmente os seus mentores estão fartos de nadar contra a corrente, de sentir tanta resistência...Muitos bois passam-se para o lado dos boys, e é como que o descanso do guerreiro, é o subsidio de desemprego, é o rendimento minimo, é a reforma antecipada, é a baixa, ou depressão, a junta médica, o desespero, um grito mudo de revolta...Enfim, muita gente simplesmente desiste e abandona o país...
Uma convulsão social é inevitável num horizonte próximo. As verdadeiras reformas estão em banho Maria há já demasiados anos e é preciso tratar os bois pelos nomes, é preciso resolver os problemas de fundo!
Afinal de contas e como as coisas estão, o estado acaba por ser nosso sócio em praticamente toda e qualquer acção económica que tomemos na vida e, nunca nos leva menos de 20% do produto da mesma, sem fazer absolutamente nada para o merecer! É um sócio parasita, irritante e desnecessário na maioria das ocasiões!
E percebo que há que cortar o mal pela raiz e deixem-se de paliativos e de propaganda! Percebo que há gente a mais na função publica, percebo que há que destruir alguns lobbys poderosos, nomeadamente alguns (para não dizer todos) que na sua genética possuem cromossomas partidários. Percebo que é necessário reduzir TODOS os impostos, alguns deles drasticamente.
Percebo que tem que se liberar totalmente o mercado do arrendamento.
Percebo que tem que se simplificar as leis para que todos os cidadãos as intendam e cumpram.
E percebo que tem que se mudar mentalidades e dar balanço à iniciativa privada e isso consegue-se assim que as pessoas percebam que vale a pena o esforço, que são livres para lutar por uma vida melhor sem se sentirem violentadas e chuladas pelo fat big brother. O estado é aquele gajo gordo que nos gamava o almoço no colégio!
Por isto entendo quando Manuela Ferreira Leite fala em suspender a democracia, é que como a obesidade mórbida é uma doença e a banda gástrica uma necessidade premente, a suspensão da democracia é uma espécie de anestesia geral, para um procedimento cirúrgico de grande urgência! E depois virá com certeza uma dolorosa convalescença mas é tudo para o bem do doente...
Talvez assim os habitantes deste triste jardim à beira mar plantado mudem a sua mentalidade e deixem de ver o sucesso dos outro com inveja e até estranheza, "epá mas como é que o gajo conseguiu?". É que de facto, tudo é tão difícil e complicado que realmente até custa a acreditar que alguém consiga sair da mediocridade!