Pois é, às vezes (para não dizer sempre) as noites de insónia dão nisto, mais uma ideia estranha...
Estava o Broculo a pensar: Porque será que a justiça em Portugal não funciona?
Pode observar-se que uma das causas obvias é a grande complexidade da Lei em si bem como a subjectividade da sua interpretação, além de , claro, toda a questão da infinita tramitação processual e seus recuos, avanços e falhanços...
Em duas palavras a justiça pode definir-se como sendo subjectiva e complexa.
Então o que é objectivo neste mundo? Qual seria o caminho exactamente oposto ao da constatada subjectividade do assunto? Pois bem, é normalmente aceite que as ciências, nomeadamente a matemática, representam o caminho da objectividade...
Se bem se lembram, a justiça é levada a cabo por todo um exercito de gente que se baldou à matemática e foi tirar direito precisamente por não ter propriamente inclinação para as matemáticas, assim, não é de estranhar que a justiça em termos da sua objectividade esteja pelas ruas da amargura...
Daqui a ter pensado numa solução objectiva para a justiça foi um semi-ronco.
Porque não criar uma espécie de base processual, um sistema de fichas de preenchimento fácil (para um juiz ou oficial de justiça) e - lá está - objectivo, como por exemplo, os tipos de provas categorizados e hierarquizadas (flagrante delito, testemunhal, física, fisiológica, etc., etc.) que os juízes preencheriam e conectariam à base legal, algumas delas identificadas em forma de pergunta (eventualmente de resposta múltipla), por exemplo, " o réu apresentava um grau de alcoolemia superior a x, entre y e z ou superior a t?
Se isto fosse feito numa base de software até porventura num portal acessível por tribunais (juízes), advogados e testemunhas, com avisos de prazo automáticos por newsletter para os "actores" do caso, tenho a certeza que a coisa andava mais depressa e, matematicamente ou estatisticamente se preferirem as decisões acabariam por ser mais uniformes, coerentes, consistentes e muito, mas muito mais rápidas e provavelmente mais justas também...
No limite estaríamos a falar de inteligência artificial a tomar as decisões pelos juízes, fazendo-se uma justiça sem emoção, sem amigos, sem subornos, sem "pompa e circunstancia" e sem guerrinhas de egos políticos e tiradas "você sabe com quem está a falar?"...Aqui claro, estaríamos a cair no extremo oposto o que poderia ser igualmente não virtuoso...
Deixo-vos com duas citações interessantes:
"A justiça é a bondade medida ao milímetro."
Emma Andievska
"Pode-se ser justo, se não se é humano."
Isidore Lautréamont
E um link pois parece que a ideia como seria de esperar até não é nova:
http://www.conjur.com.br/2011-set-21/justica-integracao-entre-direito-matematica-promissora
7 de dezembro de 2011
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