Nestes tempos de quase desespero eis que se reforça uma esperança antiga, como não poderia deixar de ser, essa esperança recai na salvação da humanidade através da fé, uma fé na palavra divina dos profetas vivos que nos vendem a ideia do estatismo, o estado salvador e providencial que nos irá garantir conforto e segurança das nossas convicções até ao final dos nossos dias.
Os apóstolos São Costa e São Marcelo, do alto da sua bondade, indicam-nos o caminho divino in civitate speramos de que o estado, esse hermético nivelador de almas, irá providenciar infinitamente e transformar água em gasolina.
Os grandes profetas, um, o Golden Retriever simpático que nos gosta de lamber a face e outro, o Rafeiro Alentejano que parecendo pachorrento, morde quando estamos de costas, indicam-nos o caminho luminoso, calibrando-nos a crença de que o estado é a resposta para todos os problemas, só que não...
Quando a fé nos paralisa a acção, quando nos embala na nossa vitimização e deixa de fora a vontade e o engenho humanos para lidar com os desafios, o caminho irá ser espinhoso. Quando os audazes são calados e os coitados escrevem o destino, esse destino não é luminoso, é um mar de mais e mais coitados num feedback de crença em luz que não existe. Como ouvi José Milhazes noutro dia dizer, "para vermos a luz ao fundo do túnel temos de encontrar o túnel primeiro" e a crença, a fé, tem a sua utilidade, mas não é o túnel, é apenas o reforço da nossa predisposição positiva para achar que o vamos um dia encontrar.

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