29 de abril de 2021

A Madre Teresa "veste" Prada

Estava o Bróculo ao primeiro espreguiço da manhã, como sempre, a pensar em como salvar o mundo e logo me vieram algumas ideias à cabeça, por sinal, algumas delas boas para variar. Vai daí, surgiu-me a seguinte questão:

Quem é que deveria ser a pessoa mais rica do mundo? (não, a resposta não é Carlos Moedas).

Será que essa pessoa, deveria ser aquela que metia os computadores da malta todos a crashar e que, de repente, desde que se reformou, a coisa melhorou? Será porventura justo que seja aquela pessoa que nos vende tudo e um par de botas (que nunca serve) através da internet? Será aquele gajo que dá uns pontapés na bola com vista a desacreditar as leis da física ou o anão que finta três na cabine telefónica, faz a chamada prometendo mais três iguais a quem atender? Por ventura, aquele gajo que nos mete todos a cuscar a vida uns dos outros, cuscando depois quem cusca? Seriam os cientistas que inventam a cura para as nossas maleitas, ou melhor, para única doença existente aos dias de hoje de seu nome covid 19? Será o rapaz que brinca com foguetões e carrinhos a pilhas e quer ir morar para Marte porque isto aqui está a ficar um pouco seco e empoeirado?

Num mundo ideal, talvez a pessoa mais rica do mundo devesse ser a melhor pessoa, a mais altruísta, generosa e inspiradora, contudo, por razões religiosas e miserabilistas originárias na religião católica, existe a crença generalizada, não só de que quem é rico não chega ao céu - já que São Pedro é um porteiro absolutamente incorruptível - como também de que, quem é altruísta, generoso e inspirador é um pobretanas que não tem onde cair morto.

Alguns dos exemplos que citei como pessoas que foram, são ou poderão vir a ser potencialmente as mais ricas do mundo (futebolistas à parte), como Bill Gates, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos ou Elon Musk, ficaram estupidamente ricos primeiro e só depois, eventualmente se tornaram generosos e altruístas filantropos. As más línguas poderiam dizer que depois de não saberem o que fazer com tanto dinheiro, resolvem doa-lo, às tantas numa operação de charme para com são S. Pedro, à procura do supremo "like".

Agora, falando de incentivos, qual é a motivação inconsciente para se querer ser altruísta (sim, sei o significado) se isso implica quase sempre no subconsciente colectivo, ser um pobre sacrificado? Porque terá o benfeitor de enriquecer primeiro para dar depois e não prosperar ao longo da sua vida oferecendo os seus préstimos ao bem comum?

Porque é que se a Madre Teresa vestisse Prada não seria a mulher que foi? Porque é que o miserabilismo é tão "fashion"?

Num mundo de inacreditável abundância (mal distribuída é certo) seria justo que aqueles que a partilham, criam ou induzam sempre usufruíssem dela.

A pessoa mais altruísta, generosa e inspiradora do mundo, ou seja, a pessoa mais rica, por mim, pode vestir o que quiser, mas o que quiser não tem de caridade.



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