16 de janeiro de 2021

O pangolineiro guloso

 Wuhan, Janeiro de 2021, algures nesta cidade habita um individuo que terá comido a refeição mais culposa que alguma vez a humanidade terá provado. Esqueçam as pizzas enqueijadas, os hambúrgueres laganhosos, os petiscos regionais, os doces conventuais ou francesinhas. Isto foi um míssil inter-continental alimentar a que um Pangolineiro guloso não resistiu, sucumbindo ao delicado perfume da carne do curioso bicharoco, com a língua do tamanho do corpo (um pouco como o nosso presidente da república) e que, ao comê-lo, se tornou num fazedor de história. Não é uma história boa como sabemos, ser o número #1 tem destas coisas, muitas vezes esta condição cega ou prejudica os que se/nos seguem. Trata-se de uma questão de culpa e responsabilidade.

Noutras latitudes temos outro pedaço de biologia "humana", fúria carotena por excelência, a gula que o alimenta não é tão inocente, já não se trata do simples aroma da iguaria com total desconhecimento das inimagináveis consequências. O pangolineiro guloso de Wuhan matou milhões de pessoas sem imaginar que o estaria a fazer, já Trump acha-se mais importante que todas e quaisquer possíveis consequências. Um, é culpado mas inocente, outro diz-se vítima inocente, mas é culpado.

O que nos traz de volta à questão da responsabilidade e à nossa latitude. Por cá, a responsabilidade é sempre dos outros, é como o oposto do dinheiro, se encontras uma nota no chão, ela é tua. Já a responsabilidade, os outros que fiquem com ela! Quem a tem guarda uma grande dose de parcimónia em assumir a sua abundância. Ouvimos muitas vezes Trump dizer que é rico, mas não o ouvimos falar da grande responsabilidade que tem, tal como António Costa, Eduardo Cabrita, Marta Temido ou Francisca Van Dunen, estes não resistiram ao aroma do poder e influência, mas desculpam a sua responsabilidade demonstrando a fraqueza do seu carácter e a sua pequenez, porque um líder só será tão grande, quanto a responsabilidade que for capaz de assumir e esse é o preço a pagar pelo poder que tem. Aquele que quer o que os outros dispensam será sempre bem vindo.





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