Na maioria dos países com problemas de crime organizado, este surgiu nas ruas e ao longo do tempo terá começado a ganhar dimensão chegando eventualmente às mais altas instâncias do poder.
A mim me parece que em Portugal sucede o contrario. O 25 de Abril teve como consequência a criação de uma serie de organizações de seu nome partido político. Pois essas indispensáveis organizações, vê-se hoje, não passam de associações criminosas que usurpam os recursos públicos em proveito próprio...
Toda esta conversa de finanças regionais, governabilidade, crises económica e politica, etc., não passa de séria sintomática de que é o sistema que está falido. Se é ele a causa dos problemas então é ele que tem que ser revisto.
Se para que um país possa ser governado é preciso que o povo vote massivamente num só partido dando-lhe a maioria absoluta, então pode-se dizer pelo menos semanticamente que apenas podemos ser governados por um poder absolutista?
Para quê ter 230 deputados para governar um pais de pequena dimensão sabendo-se que há empresas neste mundo que possivelmente ultrapassam o PIB nacional e estão muito longe de ter 230 gestores? E mesmo que os tivessem com certeza não estariam fechados num hemiciclo, qual gladiadores do adjectivo a chamarem-se coisas lindas uns aos outros.
Sempre que Portugal atingiu feitos extraordinários na sua história - e se calhar todo e qualquer país - isso foi resultado da visão de um homem! Escolher 230 bons homens e mulheres é muito mais difícil que escolher apenas um. E um(a) pode valer muito mais que 230!
Porque não se pensa num sistema verdadeiramente democrático em que cada um pense pela sua cabeça?
Para quê 230 a votar em bloco como se fossem apenas 5 ou 6?
Isto é nitidamente um sistema demarcadamente corporativista que incita a jogos de poder em vez de dialogo, intriga em vez de soluções e vazio em vez de verdade.
Um sistema presidencialista parece-me bem mais adequado. Não só pelo que já escrevi anteriormente mas também porque quando chega a hora de apurar responsabilidades...não há o jogo do empurra e a conversa do "mas em mil novecentos e troca-o-passo estavam vocês no poder e blá, blá, blá...".
Um presidente eleito, um parlamento com menos expressão partidária com base em eleições locais de indivíduos capazes e independentes. Metade (ou menos) dos deputados a ganharem o dobro mas sem reformas vitalícias e outros benefícios ostensivos seria talvez muito mais productivo...
Mas se se fala da baixa produtividade do trabalho em Portugal o que dizer do exemplo que vem de cima? Que produtividade têm estes tipos que em 30 anos não conseguiram mudar nada de verdadeiramente axial na sociedade? Escolas, hospitais, tribunais e auto estradas toda a gente faz (desde que haja dinheiro, crédito ou portagens), mas e quem faz os professores, os médicos e os juízes e condutores conscientes? Para isso é preciso um pouco menos de dinheiro e um pouco mais de visão...
Por isso digo que ou estes gajos acordam e começam a resolver o verdadeiro problema do País (eles próprios) ou muito em breve a evolução natural para um cenário de catástrofe social, económica e politica vai-se encarregar disso. Um novo inicio e uma descolagem de um passado recente muito pouco saudoso para os Portugueses.
Será é no entanto como em qualquer convulsão um parto difícil. Parece-me que as águas já rebentaram...Vamos ver se é o menino governo de salvação nacional ou a menina revolução popular.


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