Tendo o Bróculo chegado há poucas horas do estrangeiro, tenho a constatar que não há nada como sair e voltar a entrar no nosso país para nos apercebermos melhor das diferenças que nos separam em relação ao nosso anterior destino. Por um par de horas ou mais e com as memórias frescas de uma pátria que não é a nossa, senti-mo-nos estrangeiros no nosso próprio país e capazes de avaliar com maior clareza os nossos pontes fortes e fracos.
Vindo de Budapeste com escala em Munique, pude constatar através do breve contacto com o aeroporto Alemão as grandes diferenças que nos separam.
Notei naquele espaço um grande nacionalismo corporativo, que pude presenciar através de uma ostensiva promoção e publicidade ao produto alemão, nomeadamente através da exposição das ultimas bombas da Audi e Bmw com os faróis acesos e tudo em plena afirmação de algo perceptível como: "Epá, nós somos os Alemães, somos bons engenheiros e fazemos grandes automóveis!".
Ao chegar ao aeroporto da portela na posse de 20 costelas húngaras, 2 alemãs e 4 indefinidas e ainda com o Audi branco e BMW serie 7 híbrido na retina, entro no recinto e vejo-me imediatamente rodeado de paredes com uma colorida publicidade ao papel higiénico da renova....
Meus caros súbditos de Herr Bróculo, será que é mesmo preciso marketing nesta questão? Não saberá já o mundo aquilo que nós somos capazes de fazer? Será mesmo preciso fazer um statement do género "Epá, nós somos os Portugueses, gostamos de comer bem e fazemos muita merda!"? É que esta acção de marketing é por si só disso um bom exemplo...
Portanto esta experiência de sair e voltar a entrar em Portugal assemelha-se muito (e cada vez mais?) a sair e voltar a entrar na casa de banho. Subitamente o cheiro a que estávamos habituados atinge todo o seu potencial tóxico...

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