Em relação ao assunto TGV, mesmo que ao que parece este tenha arrancado já a alta velocidade e ninguém o pare, tenho algumas duvidas...
Penso que a alta do petróleo poderá não se acentuar/manter durante muito mais tempo (o meu palpite 2 a 5 anos) pois julgo que vai haver uma rápida proliferação dos carros eléctricos e isso vai permitir às companhias aéreas continuar a funcionar c/ baixos custos durante muitos e bons anos fazendo uma concorrência implacável ao TGV...
Além disso, não serão os estudos existentes demasiado coloridos e amigos de alguns interesses instalados? E não estarão como sempre, drasticamente sub-inflacionados como é hábito nas grandes obras, talvez para não chocar (ainda mais) a opinião pública? Incluem a expressão real dos custos de exploração, manutenção, etc. a longo prazo?
Em relação aos milhares de empregos que dizem vir a ser criados como consequência positiva desta obra, (já me assusto cada vez que um tipo do PS diz que se criam não-sei-quantos-mil empregos), eu pergunto, e quantos se perdem? Na CP não se perdem? Na aviação não se perdem? Também fizeram as contas de subtrair?
Com esta pipa de massa, quantas empresas se criariam? Quantos empregos? Quantos cursos? Quantos estágios? Quantas bolsas? Quantas escolas, centros de saúde, hospitais, estátuas do Bróculo? É que são 8.876M€(!) que poderiam ser muito melhor distribuídos em vez de irem parar aos bolsos dos mesmos de sempre…É que são quase 600 1ºs prémios Euromilhões!!!
E é interessante…Eu que não gosto particularmente da Drª Ferreira Leite (quem gosta?) começo a entender cada vez melhor aquilo que a chateia, nomeadamente a história dos espanhóis…Segundo li, além da maior comparticipação da UE a Espanha com Portugal na equação da AV, também lhes interessa a linha de TGV para resolver um problema de transporte interno entre a Galiza e Madrid através do percurso Vigo, Porto, Lisboa, Madrid. É fácil, é (muito) mais barato e ainda há quem pense que nos vai dar milhões a nós...Eu não! Acho é que ainda lá iremos encher o depósito muitas vezes...
O principal ponto negativo, ou seja o custo monstruoso desta obra é um dado adquirido. A precária conjuntura económica também. Vamos acreditar em previsões optimistas e projecções cor-de-rosa? Não podemos viver sem TGV? Sente-se a falta dele? Sonha-se com ele?
Pois o Bróculo não, eu cá sonho é com um pais com muita horta verdinha, de gente civilizada, trabalhadora, qualificada e empreendedora, com políticos honestos e dedicados, com uma justiça eficiente, com um SNS digno e eficaz, com uma educação convincente, com um sistema fiscal justo, desburocratizado, culturalmente rico, desportivamente competitivo, etc, etc…
Mas ao analisar este assunto, descobri um termo económico fantástico que na minha opinião deveria substituir o "Pai Natal"! Trata-se de "externalidade" que são os benefícios económicos indirectos de um investimento, nomeadamente ao nível da redução das emissões poluentes, da sinistralidade, e dos ganhos de tempo....Já estou a ver os papás a dizer aos filhos "Olha meu querido filho, a "Mãe externalidade" trouxe-te um presente, toma lá este lindo comboio que o pai ainda não pagou, tu também não vais conseguir pagar e os teus netos ainda vão estar a pagar...Gostas? Bonito não é? É caso para dizer que o coelhinho veio com o pai natal e o palhaço no comboio ao circo*...
Enfim, este debate é interessante mas duvido que faça alguém mudar de ideias, os sonhadores vão continuar a sonhar e os pragmáticos vão continuar acordados…
*Tradução moderna: O Coelhone veio com a Mãe externalidade e o Sócrates no TGV ao Parlamento...
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Sem comentários:
Enviar um comentário