
Mário Soares numa entrevista ao "i" de 5 de Setembro, quando questionado: "Uma vitória do PSD poderia abrir uma crise?", respondeu: "Abria uma crise violenta. Toda a esquerda, que é sociologicamente maioritária, estaria a manifestar-se contra o governo. É estranho que um país que tem 55 ou 60 por cento de maioria de esquerda possa ser governado pela direita, que é minoritária, mesmo que ganhasse neste momento as eleições."
Convém meditarmos atentamente nestas palavras porque isto é uma explicação cabal para o facto de o PS poder fazer tudo aquilo que quer, atropelando tudo e todos, indo inclusivamente contra sectores chave da sociedade como as forças da ordem, os professores, os juízes, etc. e no entanto, Cavaco Silva (desgastado por 10 anos de governação é certo) teve um buzinão de todo o tamanho por aumentar as portagens na ponte 25 Abril, que, diga-se de passagem já devem ter aumentado mais durante esta legislatura.
Também Santana Lopes se pode queixar da baixa tolerância do zé povinho (e claro Jorge Sampaio) para com a direita, não tivesse ele levado um chuto no cu sem que este tivesse sequer tido tempo de aquecer a sua cadeira ministerial.
Temo que nas actuais condições sócio-económicas, que uma coligação PSD-CDS que governe este país e tome uma e basta provavelmente apenas uma só medida impopular, por insignificante que seja, para causar um tsunami politico e que se desencadeie a tal insurgência popular nas ruas, que se espera e justifica há muito, mas só irá acontecer quando a maldita direita estiver a endireitar aquilo que o PS (mais uma vez) entortou...

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