Pensando bem até talvez fosse esta a mensagem por detrás de thriller, um morto vivo despedaçando-se, dono de um corpo inconsistente e retalhado mas que dança ao som da musica com disciplina e acerto...Foi isto a vida de Michael Jackson?
Este homem que para espanto meu ainda sobreviveu até aos 50 anos teve o peso do mundo sobre os ombros logo a partir dos 5! Agora que "finalmente" perdeu a vida e se foi também a piada, revela-se com grande nitidez uma existência de sofrimento e incompreensão, uma vida de "palhaço" a entreter multidões a preceito.
Michael Jackson não teve infância, tentou te-la reeditando-a na vida adulta rodeando-se de amiguinhos imberbes e carrosseis, falando sempre com a voz delicada de uma mãe que embala o filho...Perdeu a percepção de si mesmo, nunca soube quem era, talvez nem soubesse que não queria ser o que fizeram dele. Isso levou-o a ser incapaz de se relacionar com o mundo porque no fundo nunca o deixaram fazer parte dele. Há quem consiga tornar-se um ícone porque quer mas MJ não teve escolha, essas escolhas não se fazem aos 5 anos.
A humanidade é cruel e não hesita em aplaudir a desgraça se ela estiver coberta com um manto espectacular. O espetáculo oculta muitas vezes o drama, da mesma forma que o drama emana por vezes beleza inesperada, basta ver o World Press Photo para compreender o conceito...
Quando se é criança e enquanto crescemos, mais importante que saber cantar e dançar na perfeição, mais importante que saber tourear numa arena, mais importante que ser idolatrado, admirado, é ser amado, não como um produto de marketing mas como ser humano.
Quando se rouba a infância a alguém, rouba-se-lhe a alma. É esta a lição que Michael Jackson deixou e isso, mais do que engraçado é trágico.
Por isso, o Bróculo não vai fazer piadas fáceis com MJ, não vai tecer criticas fáceis à sua musica mas sim homenagear aquele Michael Jackson que morreu há cerca de 45 anos. Aquele ser humano inocente de 5 anos, a quem não deixaram ser feliz.

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