17 de maio de 2009

A sensualidade


s. f.

Qualidade de sensual.
Volúpia.
Lascívia.
Lubricidade.
Luxúria.

Pois é meus caros hortenses, sempre que o broculo vê um raio de sol e acelera a fotossíntese, ganha consciência deste tema de verão e de tudo o que está ligado ao ritual estival de acasalamento humano.
Claro que para quem vive num pais de belas praias, é esse o palco por excelência deste ritual, que como se sabe é implacável para com os descuidos alimentares e ociosos praticados durante os meses de inverno.
Quando por fim nos damos conta que estaremos dentro de pouco tempo no tribunal litoral, despidos de alibis a mostrar as provas do crime...Resolvemos vermo-nos livres delas rapidamente qual caso Freeport. Muitos recorrem ao ginásio mas no geral, as mulheres, apostam mais nas novas tendencias dietecticas e no santo graal em forma de creme anti-celulitico enquanto os homens,correm, pedalam, suam e sofrem por toda a cerveja derramada ao longo de muitos meses, mas sempre com a voz do seu pensamento ofegante dizendo "ainda assim valeu a pena!".
No entanto, o Bróculo não pode deixar de aplicar aqui o seu auto-critico patriotismo quando compara a sensualidade lusa com a de outras latitudes. É que apesar de temos por ai uns quantos tipos como José Mourinho e Cristiano Ronaldo a promover respectivamente a sensualidade e a sexualidade Portuguesa (e gajas não há?), tenho mesmo que dize-lo...Epá, mas o que é isto!?
O Brasil tem o samba, o funk, a garota de ipanema, e milhares de outros factores de sensualidade. A Argentina tem as miss-universo e o tango, a Itália tem deputadas europeias, o Japão tem as Gueixas, a China tem o Kama sutra e o tao, a India tem o tantra, o oriente arábico tem a dança do ventre e as 1001 noites, mesmo os espanhois aqui ao lado têm as Sevilhanas, porra, até Angola tem o kuduro! E nós, que temos nós pah!? Pois é...o triste fadinho e o corridinho algarvio, os pauliteiros de mirandela e o bailinho da madeira, o Paulo Bento, João Baião e a Carolina Patrocinio! Bah, é triste...
Por motivos obvios e embora muita gente pense o contrário, somos realmente um povo com uma limitada expressão sensual! Acho que é porque nos esquecemos que a fonte da sensualidade não é tanto a forma mas sim a expressão da forma.
A sensualidade é uma espécie de linguagem ou código, existem "frases feitas" e situações tipo mas que serão sempre gestos sensuais, isto se não se transformarem em objecto de gozo como por exemplo aquele famoso anuncio da Martini em que o gajo passa o dedo pelos lábios.
Por isto é que um careca num cabriolet não funciona...Porque a "frase feita" a expressão da forma é "num cabriolet de cabelos ao vento" e se há cabriolet, há vento mas não há cabelo, enfim...O problema é que, a menos que se seja futebolista, o dinheiro para comprar o popó cabrio chega normalmente tarde demais, pela altura que o cabelo já se foi embora.
Por sermos um povo reservado, triste e pouco expansivo a sensualidade não se manifesta, pelo menos não através de linguagens próprias como a dança. Resta-nos assim a sensualidade latente no desporto e no movimento ao ar livre, veja-se por exemplo a Vanessa Fernandes, aquele portento de sensualidade!
Por isso o melhor é não nos preocuparmos muito com ela e não nos esforçarmos demasiado porque também dizem que ou se nasce com ela ou não vale a pena tentar, portanto, tratem de beber essa cervejinha com volúpia, e de comer a caracolada com atitude matadora!



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