1 de novembro de 2008

Saudade

do ant. soedade, soidade, suidade < style=""> solitate, com influência de saudar

s. f.,

lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;



pesar pela ausência de alguém que nos é querido;

nostalgia;



Pois é meus caros fãs, sei que já estavam cheios de saudades do bróculo, e eu, rapaz solidário que sou, lá vos faço o favor de escrever aqui umas merdas geniais para vocês imprimirem, encadernarem e estimarem para o resto das vossas vidas…


Nestes tempos de crise é que se vêm os grandes legumes e eis que o bróculo renasce das cinzas triunfante para guiar os Portugueses nestas horas difíceis.


Ora aqui está um assunto que puxa pelo orgulho Português! A saudade…aquela palavra que é só nossa, que nós inventámos! Não porque estejamos nostálgicos do nosso passado imperial, não porque estamos com azia do fenómeno “querida, encolhi o império”, mas simplesmente porque somos um povo com uma inteligência emocional acima da média e como tal, demos um nome a um sentimento humano, a uma necessidade fisiológica que também vende papel higiénico.


Já vimos que a saudade está intimamente ligada ao passado, à “lembrança” e à memória, mas também é cada vez mais um sentimento com futuro pois se é verdade que temos saudades do passado e porque este é melhor que o presente, só podemos temer o futuro! Isso permite ter saudades não só de coisas boas, mas também de Salazar, António Guterres, Carlos Paião ou mesmo de José Peseiro!!! E estremeço só de pensar que podemos um dia vir a ter saudades de José Socrates!??


Mas pelo menos não estamos home-sick, ou seja em casa doentes e com febre como os bifes, não porque as nossas casas não sejam suficientemente húmidas e frias para nos matarem enquanto lá estamos, mas porque talvez numa noite de fado, entre lágrimas de dor saiu um sôdade de umas entranhas Portuguesas em carne viva.


Mas por ventura e muito nostalgicamente vos dou uma má noticia, esta palavra que inventámos não serve para nada, ela apenas serve para demonstrar as nossas fragilidades enquanto povo. Este sentimento é bom para poetas, escritores e fadistas no sentido de dar densidade emocional à sua obra, mas para que um povo caminhe em direcção ao futuro, as saudades vão ter que ficar para trás.


“A saudade é o alimento vão de um espírito desocupado. É preciso, acima de tudo, evitar a saudade ocupando sempre o espírito com novas sensações e novas imaginações”


Gabriele DÀnnunzio


Se conseguirmos fazer isto, poderemos ser de novo um povo grandioso…

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