25 de janeiro de 2007

Aborto

Já muito se disse e discutiu acerca deste tema e ninguém parece entender-se a debate-lo.

O bróculo é da opinião que isso acontece pois cada interlocutor se encontra num nível ou esfera de argumentação diferente. Uns vêm o problema do ponto de vista económico e dizem por exemplo “eu não vou pagar abortos com o dinheiro dos meus impostos!” ou “as clínicas clandestinas fazem fortunas!”, outros pensam nas questões de saúde publica “continuam a morrer mulheres vitimas de aborto clandestino em Portugal!”, há aqueles que preferem a questão religiosa “não há direito de tirar uma vida inocente, é pecado!”, também existe a preocupação social “não há condições para essas crianças virem ao mundo!”, “e o sofrimento das mulheres!?”, outros ainda optam pelo individualismo “o corpo é meu, faço o que bem entender com ele!”, mas na verdade e por isto mesmo, esta é muito simplesmente uma questão moral, até porque esta perspectiva abrange, sobrepõe-se e infelizmente confunde-se muitas vezes com todas as outras…

Mas o bróculo, como aliás os restantes 9.999.999 milhões de portugueses, ou serão menos? Ouvi dizer que a população estava a decrescer…Ah! Desculpem, isto não tem nada a ver com o assunto aqui exposto!...Como eu ia a dizer, o bróculo não tem dúvidas e tem opinião formada e voto na matéria referendada, vou dar um exemplo:

Imaginem que o feto é uma espécie de cheque pré-datado (com cobertura), ou seja, embora não seja objectivamente dinheiro, é como se fosse. Apesar de um feto “não ser” exactamente um ser humano podemos estar descansados em relação à sua futura “validade humana”, é uma espécie de “vida em caixa” (já cá faltava um gajo que se lembra-se de argumentar contabilisticamente). :)

Agora pergunto: É hipocrisia pensar que é um crime surripiar este cheque? É diferente roubar um cheque e roubar dinheiro? Uma coisa é crime e a outra não? Mesmo que roubemos porque temos fome, frio, para dar a outrem qual zorro ou porque o corpo é nosso ou porque as clínicas dão dinheiro ou porque, ou porque…não interessa! Meter a mão naquele “dinheiro em caixa” é crime e deve ser penalizado! Devem as mulheres ser presas por isso? Talvez não tanto. Quantas já foram?...Por isso voto na manutenção da lei como está, consagrando as excepções que consagra.

E digo mais. Talvez porque adore o arregalar de olhos do Francisco Louça e sabendo que o meu próximo argumento o faria, apesar da minha posição ser clara eu não me inibiria de eventualmente incumprir a lei que defendo!? Hipócrita eu? Não senhor Louçã, é que a lei é para todos e de todos e possui uma universalidade que supera a fraqueza moral do indivíduo contendo princípios e valores colectivos. Quem não cumpre é punido e há que aceitar a superioridade da lei em relação a algumas das nossas fraquezas e necessidades transitórias.

Se formos perguntar a quem está preso por roubo ou assassínio, se acha que esse crime deve ser despenalizado, tenho a certeza que recebe como resposta uma gargalhada sonora e um olhar do tipo “este gajo é doido dos cornos!”…Pois que, até alguém nessa situação percebe que não é a lei que deve descer ao nível do individuo mas sim este que deve acatar (ou não com as consequências que isso tem a nível penal) os padrões de conduta social e moral que as leis sublimam.

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